O candidato ao governo de Minas pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Gabriel Azevedo, cumpriu agenda de campanha em Montes Claros, no Norte de Minas, no dia 3 de setembro.

Acompanhado da sua candidata à vice-governadora, Maria Helena Lopes, Também do MDB. Juntos, visitou um café localizado no Quarteirão do Povo, tradicional ponto comercial da região central da cidade.
Os candidatos concederam entrevista coletiva à imprensa e apresentaram algumas propostas para diferentes áreas da administração pública. Durante a conversa, Gabriel fez críticas à atual gestão estadual.
“O slogan do governo era ´Minas Está Nos Trilhos´, só na propaganda, porque na vida real não tinha um centímetro. Ou então, Aqui o Trem Prospera… Qual, se só vê estação de trem abandonado.
Ferrovias e patrimônio histórico
Ao responder sobre transporte e infraestrutura, Gabriel Azevedo citou o abandono da ponte Marechal Hermes da Fonseca, em Pirapora, e relembrou memórias da infância na região. O candidato defendeu investimentos para a recuperação da malha ferroviária e na preservação do patrimônio histórico mineiro.
“Eu vou ser o governador das ferrovias. Não dá para, daqui a 20 anos, a gente continuar olhando para as estações de trem ainda mais esquecidas do que a gente olha hoje. Não dá para ver os trilhos serem todos furtados. Essa ponte foi uma das primeiras coisas que eu vi quando fui criado pelo meu pai. E quando a gente cuida do nosso patrimônio ferroviário, nós estamos contando uma história. Toda criança nascida em Montes Claros tem que entender quem foi o melhor amigo da cidade em 1926, o Francisco Sá. Tem que compreender que o trilho gera de oportunidade para trazer grãos, insumos, para ter comida mais barata na mesa. Custa? Custa. Custa mais a vida de um caminhoneiro que se perde, o bolso do cidadão que não aguenta mais pagar o mecânico. Agora, para isso, eu vou insistir na resposta”, declarou.
Segundo ele, a recuperação da ferrovias também pode contribuir para o desenvolvimento econômico, reduzido custos logísticos e ampliando o transporte de cargas.

Questionado sobre a viabilidade dos projetos ferroviários, Gabriel afirmou que existem recursos disponíveis no governo federal e defendeu uma relação institucional entre Estado e União.
“Tem cerca de 20 bilhões de reais no governo federal esperando o projeto. Só que, para isso, o governador não pode ficar brigando com o presidente, usando as mídias sociais para ficar batendo no governo federal. Tem que ir lá, conversar com o Ministro dos Transportes”, disse.
Situação financeira e combate à corrupção
Durante a entrevista o candidato também comentou a dívida de Minas Gerais com a União e criticou a política de incentivos fiscais adotada pelo estado.
“Em dezembro de 2025, Minas Gerais reconhece uma dívida de R$ 179,3 bilhões, e adera ao propague numa modalidade de correção, mas juros zero. É como alguém que deve no cartão de crédito e consegue uma renegociação parcelando as dívidas sem os juros. É uma boa renegociação, mas têm condicionantes. O governo mineiro tem que colocar 20% de amortização (R$ 35 bilhões), há uma lista de ativos de 88 bilhões que está sendo avaliada. E no nosso governo a gente não rouba e não deixa roubar”, afirmou.
Gabriel também disse que pretende revisar benefícios fiscais concedidos a empresas e aumentar a fiscalização sobre a aplicação dos recursos públicos.
Política para as mulheres e segurança pública
O candidato destacou uma forte atuação da sua candidata a vice-governadora, Maria Helena, especialmente nas propostas voltadas à proteção das mulheres.
Maria Helena afirmou que a chapa pretende fortalece as instituições de segurança pública e ampliar políticas de combate à violência de gênero.
“Vai ser um compromisso do nosso governo o ´Feminicídio Zero´, e isso não é simplesmente um título. Tem meios de trabalhar isso, principalmente no fortalecimento das instituições, tendo como objetivo a questão da segurança pública do estado de Minas Gerais. Não vai ser figurativo, nós não estaremos lá vestindo os uniformes pra tirar foto, nós estaremos realmente resolvendo os problemas da polícia militar, polícia civil, polícia penal, municípios importantes que não tem a delegacia da mulher, e trabalhar para diminuir esse machismo estrutural”, afirmou.
Questionada sobre a Câmara da Mulher, iniciativa da Câmara Municipal de Montes Claros, Maria Helena disse que pretende incentivar ações semelhantes em outras regiões do estado.
“Nós dois sabemos da importância de envolver as câmaras municipais, os prefeitos, para que a gente possa fazer uma política efetiva nos municípios, respeitando o nosso tema, as Minas e as Gerais, olhando a necessidade de cada região, para que a gente possa realmente atender essa expectativa das mulheres no estado de Minas Gerais”, declarou.
A candidata ainda ressaltou a importância da participação do Norte de Minas na contrução do Plano de Governo.
“É um momento histórico para a nossa região. Nós saímos de meros espectadores para protagonistas. Nós estamos participando, não está apenas concentrado em Belo Horizonte, onde a maioria das chapas são decididas. A primeira vez que Gabriel começou a traçar um plano e conhecer todas as questões das regiões de Minas Gerais foi aqui, em Montes Claros, no Norte de Minas. Ele teve acesso a tantas informações importantes e teve o conhecimento também da importância de fazer políticas voltadas para as necessidades de cada região do estado de Minas Gerais”, acrescentou.
Educação
Ao comentar a educação, Gabriel Azevedo criticou a proposta de expansão das escolas cívico-militares.
“Quem precisa de polícia é bandido. Aluno precisa de professor”, afirmou.
Cultura norte-mineira
Ainda durante a entrevista, o candidato também destacou a importância da cultura regional e defendeu ações para ampliar a visibilidade das manifestações tradicionais do Norte de Minas.
“As Festas de Agosto, os Catopês, a Marujada, os Caboclinhos… Isso tem de ser conhecido pelo mundo. O norte tem um sotaque, uma cultura, uma música, um sabor que o mundo inteiro tem que conhecer.
Segundo Gabriel, um eventual governo do MDB buscará fortalecer políticas culturais em todas as regiões do estado.
Saúde
Na área da saúde, Gabriel defendeu investimentos na atenção primária, na telemedicina e no fortalecimento de cidades-polo da região.
Segundo ele, ampliar a capacidade de atendimento em municípios estratégicos pode reduzir a sobrecarga de Montes Claros e melhorar o acesso da população aos serviços de saúde.
“É a gente potencializar os polos regionais. Estou falando aí de Pirapora, Brasília de Minas, Januária… Na hora que você tem esse degrau, não vem tudo para Montes Claros. Se eu ficar só no pão de queijo, no pequi, na carne do sol, sem me exercitar, sem correr, o colesterol vai nas alturas e depois é o custo para o Estado com o AVC, com a operação de cirurgia cardíaca. É melhor a alimentação estar boa, o esporte estar em dia, a corrida está em dia, a caminhada”, concluiu.
Formação multifacetada e carreira extensa
Nascido em Belo Horizonte, Gabriel Azevedo tem 40 anos, é solteiro, filho de professora e de um policial militar.
Parte dois seus estudos foram concluídos no Colégio Militar de Belo Horizonte. É formado em direito pelas Faculdades Milton Campos, onde também concluiu mestrado na mesma área. Possui graduação também em Jornalismo e em Publicidade e Propaganda pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (Puc Minas).

Aprofundou-se em desenvolvimento urbano, possuindo título de mestre em instituições do Reino Unido e atualmente é doutorando em direito ambiental.
Gabriel iniciou a sua vida política em 2005, no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Entre 2011 e 2014 atuou como subsecretário de Estado para a Juventude durante o Antônio Anastasia.
Em 2016 foi eleito vereador em Belo Horizonte, pela primeira vez, pelo então Partido Humanista da Solidariedade (PHS) e foi reeleito em 2020. Presidiu a Câmara Municipal da capital entre 2023 e 2024. Em 2024 filou-se ao MDB e disputou a prefeitura de BH, ficando em quarto lugar.
Maria Helena é vereadora em Montes Claros
Maria Helena de Quadros Lopes tem 54 anos, é natural de Montes Claros, casada, tem três filhos, e é empresária no segmento de decoração e eventos.
Filha do ex-prefeito Alfeu Gonçalves de Quadros e neta do professor e ex-vereador Hamilton Lopes, iniciou sua atuação pública assumindo projetos comunitários e sociais, além de dirigir instituições na cidade e ter ocupado a secretária-adjunta de Defesa Social.

Foi eleita vereadora pela primeira eleição foi em 2016, pelo Partido Pátria Livre (PPL). Em 2020, já filiada ao MDB, foi reeleita. Tornou-se a primeira mulher a ocupar a vice-presidência da Câmara Municipal de Montes Claros, e conquistou um novo mandato em 2024.

